A delegação brasileira protagonizou um momento de grande emoção durante a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, realizada nesta quarta-feira (28/08). Pela primeira vez na história, a solenidade aconteceu fora de um estádio, ocupando a icônica avenida Champs-Élysées e a Place de la Concorde, no coração da capital francesa.
O Brasil foi a 21ª nação a desfilar no percurso de aproximadamente 2,5 km, especialmente preparado para os atletas. Os porta-bandeiras Gabriel Araújo, da natação, e Beth Gomes, do atletismo, lideraram a delegação brasileira, que encantou o público presente com sua energia e animação.
Entre os destaques da equipe estava a nadadora cearense Edênia Garcia, 37 anos, da classe S3 (limitação físico-motora), que viveu a emoção de realizar um sonho ao desfilar pela Champs-Élysées, especialmente adaptada para acessibilidade aos cadeirantes. “A gente trabalha muito para estar aqui. É a realização de um sonho. O ciclo paralímpico é formado por vários atos, e os Jogos são o ato final. Eu fico emocionada porque deixamos um marco na história do Brasil e do Movimento Paralímpico. Está tudo muito lindo,” comentou Edênia, que nasceu com a doença de Charcot-Marie-Tooth, também conhecida como atrofia fibular muscular.
Gabriel Araújo, 22 anos, um dos porta-bandeiras, também destacou a importância do momento, especialmente para ele, que já competirá nesta quinta-feira (29/08) nas eliminatórias dos 100m costas da classe S2 (limitação físico-motora), às 4h59 (horário de Brasília). Atual bicampeão mundial, Gabriel tem grandes chances de medalha, já que conquistou a prata na mesma prova nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. “Estou muito feliz e honrado. É um momento único e uma emoção muito grande. Meu treinador [Fábio Antunes] sempre planeja com antecedência, e participar da abertura fazia parte do nosso planejamento. É um sonho viver tudo isso,” disse Gabriel, que nasceu com focomelia, condição que impede a formação dos braços e pernas.
Beth Gomes, 59 anos, que competirá nas provas de arremesso de peso e lançamento de disco na classe F53 (cadeirantes), também se emocionou ao representar o Brasil na avenida mais famosa do mundo. Diagnosticada com esclerose múltipla em 1993, quando ainda era jogadora de vôlei convencional, Beth destacou a importância de nunca desistir dos sonhos. “É muita emoção poder representar a nação brasileira e abrir os Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Até me belisquei para entender se era verdade. É um presente de Deus saber que nosso trabalho está dando certo. Nunca deixem de sonhar, porque seus sonhos podem se tornar realidade,” completou.
A delegação brasileira vestiu um uniforme especial para a cerimônia de abertura, composto por um bucket verde e amarelo, jaqueta azul, camiseta branca e calça ou shorts azul-marinho, todos confeccionados pela ASICS com foco na acessibilidade. O traje foi completado por chinelos Havaianas, também pensados para o conforto dos atletas durante o evento.
O Brasil será representado em Paris por 280 atletas, sendo 255 com deficiência, que competirão em 20 modalidades. Esta é a maior delegação brasileira em uma edição dos Jogos Paralímpicos realizada fora do Brasil. O recorde anterior de participantes no exterior foi em Tóquio 2020, com 259 atletas. Nos Jogos do Rio 2016, quando o Brasil sediou o evento, foram 278 atletas com deficiência em todas as 22 modalidades.
Os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 terão cobertura ao vivo no Sportv2 e no canal do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) no YouTube.
A cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 marcou não apenas um momento histórico para o evento, mas também para os atletas brasileiros, que mostraram ao mundo a força, a resiliência e a alegria do país. Com uma das maiores delegações já enviadas a uma Paralimpíada, o Brasil começa sua participação em Paris com grandes expectativas e a promessa de deixar mais uma vez sua marca no movimento paralímpico mundial.
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