A celebração dos jogadores da Argentina pelo título da Copa América foi manchada por um episódio de racismo e transfobia. O volante Enzo Fernández, que estava fazendo uma transmissão ao vivo pelo Instagram dentro do ônibus da equipe, capturou o momento em que os atletas começaram a cantar uma música com conteúdo ofensivo. Ao perceber a situação, Fernández rapidamente encerrou a transmissão, mas usuários nas redes sociais gravaram o momento.
A canção entoada pelos jogadores é conhecida e foi criada por argentinos durante a Copa do Mundo de 2022, quando o país venceu a França na final do torneio. O canto contém versos racistas e transfóbicos, incluindo termos pejorativos para se referir a travestis e transexuais. Um trecho da música faz referência direta ao atacante francês Kylian Mbappé, amigo da modelo transexual Inès Rau, sobre quem houve rumores de um relacionamento em 2023.
“Eles jogam pela França
Mas são de Angola
Que bom que eles vão correr
Eles se relacionam com transexuais
A mãe deles é nigeriana
O pai deles cambojano
Mas no passaporte: francês”
Na noite de segunda-feira, 15 de julho, após o bicampeonato consecutivo da Copa América nos Estados Unidos, os jogadores argentinos foram recebidos como heróis pelos torcedores na Grande Buenos Aires. Milhares de pessoas esperaram por horas para ver os atletas, que foram transportados do aeroporto até o complexo da Associação Argentina de Futebol. Entre os momentos emocionantes da celebração, destacou-se a despedida de Ángel Di María, que anunciou sua aposentadoria da seleção argentina.
No domingo anterior, 14 de julho, a seleção treinada por Lionel Scaloni venceu a Colômbia por 1 a 0 na prorrogação, no Hard Rock Stadium, em Miami, alcançando seu 16º título continental, o maior número na história da competição.
O episódio gerou uma onda de críticas nas redes sociais e na imprensa internacional. O meia Enzo Fernández, que joga pelo Chelsea desde 2023, foi um dos jogadores argentinos que cantaram o cântico racista. A repercussão foi imediata entre seus colegas franceses no clube, como Disasi, Fofana e Malo Gusto, que deixaram de segui-lo nas redes sociais. Fofana, inclusive, compartilhou o vídeo com um comentário sarcástico: “Futebol em 2024: racismo desinibido”.
Até o momento, nem o Chelsea, nem a Federação Argentina de Futebol ou a FIFA se pronunciaram oficialmente sobre o caso. No entanto, jornais ingleses reportam que o Chelsea já iniciou uma investigação interna.
O incidente durante a comemoração dos jogadores argentinos revela um problema persistente no futebol: a presença de comportamentos racistas e transfóbicos entre atletas. A expectativa é que os órgãos competentes tomem medidas firmes para combater esses episódios e promover um ambiente de respeito e inclusão no esporte.
Studio Mix Esportes