Atendendo aos pedidos de muitos amigos que acompanhavam o "Na Trilha do Cinema", compartilho minha opinião sobre a premiação do Oscar 2025, que trouxe momentos inesquecíveis, mas também algumas escolhas questionáveis. Foi uma noite em que o cinema brasileiro brilhou, mas também uma noite de frustrações.
A maior alegria foi, sem dúvida, a vitória de Ainda Estou Aqui como Melhor Filme Internacional. Walter Salles entregou um drama poderoso e sensível, resgatando histórias marcantes da ditadura militar e emocionando o público com atuações impecáveis. O reconhecimento da Academia a esse filme é um marco para o cinema brasileiro, que merecia essa consagração há muito tempo.
No entanto, não posso esconder minha frustração com a categoria de Melhor Atriz. Fernanda Torres estava magnífica em Ainda Estou Aqui, entregando uma performance digna de entrar para a história. Se ela tivesse perdido para Demi Moore, que esteve absolutamente brilhante em A Substância, eu entenderia. Mas perder para Mikey Madison, de Anora, foi decepcionante. A atuação de Madison não teve o mesmo peso emocional e profundidade que Fernanda ou mesmo Demi entregaram.
Entre os outros premiados, Anora levou Melhor Filme, Melhor Direção para Sean Baker, Melhor Atriz para Mikey Madison e Melhor Roteiro Original. Adrien Brody brilhou em O Brutalista e levou o prêmio de Melhor Ator, enquanto Kieran Culkin venceu Melhor Ator Coadjuvante por A Verdadeira Dor. Zoe Saldaña conquistou Melhor Atriz Coadjuvante por Emilia Pérez.
Outros destaques incluíram Conclave, vencedor de Melhor Roteiro Adaptado, e No Other Land, que levou Melhor Documentário. O prêmio de Melhor Animação ficou com Flow, enquanto Duna - Parte 2 confirmou seu domínio em efeitos visuais e som.
Outro momento que me emocionou foi a homenagem aos filmes de 007. A apresentação musical com trilhas clássicas da franquia trouxe uma dose de nostalgia e reforçou a importância de James Bond na história do cinema. Foi um tributo digno para uma série de filmes que atravessa gerações.
A noite também teve seus momentos de impacto político, como o discurso da equipe do documentário No Other Land, que abordou a situação na Palestina. Um lembrete do quanto o cinema pode ser um instrumento de reflexão e transformação.
No fim das contas, o Oscar 2025 foi uma mistura de emoção e decepção. Celebramos a vitória do cinema brasileiro, mas também tivemos que engolir algumas escolhas contestáveis. Que venha o próximo ano, com mais justiça e mais histórias para nos emocionar.
Robert Abel - Na Trilha do Cinema